JUVÊNCIO
TERRA |
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Maria
Cláudia Alcoforado* |
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A cidadezinha chamava-se Formiga, nome histórico que enseja uma série de metáforas. Fica lá, no Centro Oeste das Minas Gerais, na Serra do Capão da Mata, a 200 km de Belo Horizonte. Escondida entre o verde da vegetação, a brancura das areias e o azul muito límpido do céu, Formiga é margeada pela Serra da Canastra. Entre seus encantos, estão as Grutas de Pains, as Pinturas Rupestres de Arcos, as Cachoeiras caudalosas... Com se não bastasse essa visão paradisíaca, a cidade é embalada pelo murmúrio das águas do lago de Furnas. Naquele cenário inspirador chamado poeticamente de “portal do mar de Minas”, vivia uma família típica do interior: grande prole, pais que conheciam a receita de conjugar seriedade com amor, lar cristão de bases firmes, consolidadas no cimento do bom exemplo e sustentadas pelos andaimes do labor. Ali nasceu o menino Juvêncio que desde cedo se mostrou dócil aos ensinos maternais e paternais, sensível diante da vida em todas as suas manifestações, forjando um caráter marcado pela honestidade, pela disciplina, pelo trabalho, pelo respeito e pelo amor ao outro, próximo ou distante. Juvêncio Terra, nome forte, que inspira segurança e seriedade. Sua trajetória de vida levou-o a trabalhar em Santa Luzia, donde se transfere para Belo Horizonte, que lhe descortina possibilidades de realizar um ideal ainda meio difuso, que vinha insistindo em tomar forma, em seus momentos de reflexão. Homem culto, lia a Bíblia, os grandes autores clássicos, os filósofos e os autores seus contemporâneos, sempre com senso crítico e arguto poder de inferência. Muito pródigo, custeou os estudos de um seu irmão e talvez daí tenha se fortalecido em seu âmago o desejo de promover a instrução formal de quem precisasse de estímulo e auxílio. Em sua nobre missão, ajuda a educar mais de uma centena de jovens, auxiliando-os a fazerem cursos técnicos e superiores, conforme a aptidão de cada um. Insatisfeito, continua, qual formiga laboriosa, auxiliando a promoção humana, sem qualquer tipo de discriminação, levando, a quem tivesse o privilégio de conhecê-lo, não só o apoio material, não só a folha tenra, mas o estímulo, o ensinamento, os conselhos sábios, as palavras de paz, de harmonia e de concórdia. Seu prestígio moral, a sua prudência e a sua persistência facilitavam e nobilitavam as relações interpessoais, onde quer que se encontrasse. Entre as diversas homenagens que recebeu em vida, muito o emocionou aquela que lhe foi prestada pela Professora recém-formada, D. Rosália Figueira Silveira, que o conhecera quando ela era estudante, em Belo Horizonte. D.Rosália também era uma apaixonada pela promoção do ser humano e, ao criar uma escola em Vitória da Conquista, deu-lhe o nome de Educandário Juvêncio Terra. Era a sua homenagem àquele homem íntegro e abnegado que muito a estimulara em seus estudos quando, em momentos de nostalgia, suspirava de saudades do lar paterno. Por vocação ou predestinação, talvez, este Educandário, batizado Juvêncio Terra, percorre uma trilha ascendente. Laborioso, paciente, obstinado, determinado, como o são as formigas, incansáveis em sua faina diária, há sessenta e um anos vem seguindo a rota do progresso, carregando o verde da esperança, abrindo caminhos de inclusão, exercendo liderança e tornando-se, dia a dia, uma referência educacional para Vitória da Conquista e para toda a região. Face às grandes transformações que vêm desenhando o cenário educativo e empresarial, o Juvêncio Terra, sólido em suas bases materiais e rico em recursos humanos e projetos sociais, cresce e incorpora as modernas tecnologias, através de um processo de educação democrático e libertador. Ocupando uma área de 3.700 m², o prédio possui 36 salas de aula, auditório, salas de projeção, laboratórios, biblioteca, ginásio de esportes e o Memorial Rosália Figueira Silveira.
Além dos objetivos previstos pela Legislação Educacional,
desenvolve uma política crítica e libertadora, comprometida
em: Defendendo a opção por uma educação libertadora, os fins do Educandário Juvêncio Terra não são estáticos, mas dinâmicos, em relação com o homem presente, centrando sua ação educativa mais no “processo” de busca, do que no “produto”, num sentido de responsabilidade social e de entusiasmo construtivo.
Ser Juvêncio Terra é, assim, ser possuidor de um espírito
e de uma pedagogia peculiares; é atingir finalidades num estilo
próprio, inspirado nos ideais éticos do seu nobre patrono. |